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domingo, novembro 28, 2010

A Voz da Comunidade



Aos 11 anos, Rene Silva, morador da Vila Cruzeiro, Zona Norte do Rio de Janeiro, foi estudar na Escola Municipal Alcide de Gasperi, onde teve seu primeiro contato com o jornalismo. “Pedi à diretora da escola para participar do jornal, ela autorizou e lá eu aprendi a usar o computador e diagramar”, conta o estudante que logo depois pediu para que a diretora o ajudasse a criar um jornal para a comunidade. Assim nasceu o jornal A Voz da Comunidade, com 100 exemplares por mês feitos na copiadora da escola.

Hoje, mais de quatro anos depois, Renê distribui mensalmente 3 mil exemplares do jornal pelo conjunto de favelas do Alemão. “Escrevo o jornal sozinho e às vezes meus primos me ajudam”, revela Rene que está cursando o primeiro ano do ensino médio e pretende cursar a faculdade de Comunicação e se formar em jornalismo. O estudante diz que os assuntos tratados no jornal são os que despertam o interesse dos moradores da comunidade, como saneamento básico, as obras do governo na comunidade, falta de energia e água, por exemplo.

O jornal também cobre acontecimentos na comunidade, como atividades culturais e artísticas, além de fatos do dia a dia. Rene conta que em 2007, em janeiro, na época das chuvas, a casa de uma senhora foi inundada pela enchente. Ele começou a fotografar a cena enquanto seu primo entrevistava a dona da casa.

Temas mais gerais como uma seção de culinária, leitor da vez, promoções junto a parceiros do jornal e também colunas de tecnologia e informática saem frequentemente nas edições da Voz da Comunidade. Rene ainda dá uma dica para agradar o público: “sempre sai uma notinha sobre o que está passando na televisão”.

E como se dá o financiamento tanto da impressão como da produção do jornal? Rene explica que o jornal se mantém através de patrocinadores e que as despesas com os brindes das promoções são todas pagas pelos próprios patrocinadores. “Eu não gasto o dinheiro do jornal com as promoções, somente para manutenção, mensalidade da internet e do computador”, diz. O dinheiro para a manutenção vem dos diversos anunciantes que o próprio Rene conseguiu, conversando com os comerciantes locais. Embora o jovem pretenda ampliar o raio de distribuição do jornal para outras comunidades, tem dificuldade de conseguir patrocinadores fixos para aumentar a impressão do jornal.

O adolescente conta que fazer o jornal trouxe, além de aprendizado, outras responsabilidades. “Não sou a mesma pessoa de anos atrás, pois algumas pessoas me vêem com um exemplo. Se eu errar uma única vez, vão falar. Então tenho que sempre andar na linha, curtir com os amigos, mas com moderação, nada de sair para as baladas e beber, por exemplo, que vou ser criticado”, conta. Por fim, Rene dá um recado para as pessoas que têm desejos como o dele: “Lute pelo seu sonho, porque não é impossível, basta você acreditar”.

FONTE: PRVL ORG

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